Guia do Usuário e Dúvidas Frequentes

Entenda os aspectos jurídicos, práticos e legislativos antes de assinar este documento.

O que é o Contrato de Arrendamento de Maquinário e quando utilizá-lo?

O arrendamento mercantil de maquinário (leasing) é um contrato pelo qual a Arrendante (proprietária das máquinas) cede o uso e gozo do maquinário à Arrendatária por prazo determinado, mediante pagamento de contraprestações periódicas, com opção de compra ao final. É regulado pela Lei nº 6.099/1974 e pela Resolução CMN nº 2.309/1996. Deve ser usado por empresas que desejam utilizar máquinas e equipamentos sem imobilizar capital próprio, com possibilidade de adquiri-los ao término do contrato pelo valor residual garantido (VRG).

Qual é a diferença entre arrendamento mercantil e locação simples?

A principal diferença está na opção de compra: no arrendamento mercantil, a Arrendatária tem o direito de adquirir o bem ao final do contrato pelo valor residual. Na locação simples, o bem é devolvido ao proprietário sem essa opção. Além disso, o arrendamento mercantil tem tratamento tributário diferenciado — as contraprestações são dedutíveis como despesa operacional (art. 11 da Lei nº 6.099/1974), o que pode representar vantagem fiscal significativa para a Arrendatária pessoa jurídica.

Quem é responsável pela instalação e manutenção do maquinário?

A instalação é responsabilidade da Arrendante, por meio de técnicos especializados, que também prestam treinamento aos funcionários da Arrendatária. Os custos de visitas técnicas, reparos e instalações são pagos pela Arrendatária. A manutenção preventiva e corretiva deve ser negociada entre as partes: em geral, a manutenção preventiva fica a cargo da Arrendatária (que deve manter o bem em bom estado), enquanto defeitos de fabricação ou problemas estruturais são responsabilidade da Arrendante.

A Arrendatária pode vender ou ceder o maquinário arrendado?

Não. O contrato veda expressamente qualquer forma de cessão, sublocação ou transferência do maquinário arrendado. Isso decorre do fato de que a propriedade do bem pertence à Arrendante durante todo o período de arrendamento. A Arrendatária tem apenas a posse direta e o direito de uso. A transferência não autorizada do bem pode caracterizar estelionato (art. 171 do Código Penal) e ensejar rescisão imediata do contrato com cobrança de todas as parcelas remanescentes.

Como funciona o reajuste anual do valor do arrendamento?

O valor das contraprestações é reajustado anualmente pelo índice contratado (ex.: IGP-M/FGV, IPCA, IPC). Se o índice escolhido for extinto, aplica-se a média da variação dos índices inflacionários do período. O reajuste é calculado sobre o valor da última contraprestação e incide a partir do aniversário do contrato. Recomenda-se especificar claramente o índice e a data de aplicação para evitar disputas sobre o percentual de correção aplicável.

Como funciona a opção de compra ao final do contrato?

Ao término do contrato, a Arrendatária pode exercer a opção de compra do maquinário pelo Valor Residual Garantido (VRG), que é o preço preestabelecido ou a ser acordado no momento do exercício da opção. Se a Arrendatária não tiver interesse em renovar o contrato nem em comprar o bem, deve devolvê-lo nas mesmas condições em que foi entregue (salvo desgaste natural), conforme o auto de vistoria. A devolução em más condições gera obrigação de ressarcimento à Arrendante.

Este contrato tem validade jurídica assinado digitalmente?

Sim. Contratos de arrendamento mercantil entre pessoas jurídicas podem ser assinados eletronicamente com plena validade nos termos da Medida Provisória nº 2.200-2/2001 e da Lei nº 14.063/2020. Para contratos de alto valor ou com bens que exijam registro, recomenda-se o uso de certificado digital ICP-Brasil. O auto de vistoria anexo também pode ser assinado eletronicamente, desde que acompanhado de documentação fotográfica ou laudo técnico datado que comprove o estado do bem na entrega.